quarta-feira, 31 de julho de 2013

50 Tons de Cinza




Livro: Cinquenta tons de cinza - 480 páginas
Autor: E. L. James
Editora: Intrínseca






Estou pronta para ser apedrejada. Eu gostei! Muito!

Ok,  não tenho a pretensão de dizer que é uma obra prima e nem que merece todo o sucesso que fez, mas vejo um futuro , acredito que as continuações possam ser interessantes.

Li muitas resenhas negativas, e demorei a engrenar a leitura, tentei desistir, mas como o livro faz parte do desafio literário, mês de julho, cor no título, se eu quisesse teria que substituí-lo e eu não
tinha outro.

O livro contém alguns erros gigantescos, a escritora teve dificuldades para apresentar personagens, e alguns diálogos são forçados e difíceis de engolir. Mas, tem uma história interessante, personagens centrais carismáticos e algumas tiradas que me fizeram rir alto.

Ainda não entendo o por que esse livro fez tanto sucesso, nem por que ele tem essa aura de pornô para mães, ou o povo  anda lendo muito água com a açúcar ou eu sou depravada (rs) por que já li alguns livros bem mais quentes, o único diferencial que vi foi que ele usa uma linguagem “masculina” num romance tipicamente feminino. E ainda assim ele nem é pioneiro.
<3 Ian, Meu Christian forever!!!

E me apaixonei por Christian Grey! E não, não é por que ele é rico, até por que ele é um personagem e eu não vou usufruir de nenhum centavo dele, viu, seus machistas! Me apaixonei por que , eu estava esperando um cara autoritário, e encontrei um doce, um cara preocupado, e completamente apaixonado, e tão honesto, sincero e afins que, ah, nem sei. Se os homens soubessem o valor da sinceridade para as mulheres!

Bem, assim que o Box da trilogia estiver em promoção , eu comprarei com gosto.
Pedras em 3, 2, .....


sábado, 29 de junho de 2013

Precisamos Falar Sobre o Kevin




Livro: Precisamos falar sobre Kevin - 464 páginas                                                                                            
Autora: Lionel Shriver                                                                                                                                       
Editora: Intríseca



Essa resenha faz parte do Desafio literário 2013, mês de junho, romance psicológico.

O livro é como se fosse uma coletânea de cartas escritas por Eva Katchadourian ao seu marido, em que relata o seu dia a dia, depois de “a quinta feira ” e ao mesmo tempo visita antigas lembranças, dissecando-as como se procura-se entender, ou uma anistia, talvez uma redenção. Difícil saber e a gente acaba mergulhando, e ás vezes se sufocando, nessa angustiante dissecação.

Minha relação com a Eva foi extremamente complicada, ás vezes eu a compreendia, acreditava nas suas sensações, e até sentia as suas aflições e triunfos mínimos. Outras horas eu a odiava completamente, sentia raiva. 

"(...) pensei que nada mais poderia me horrorizar, ou magoar. Imagino que seja uma noção comum, essa, a de que já estamos tão avariados que a própria avaria, em sua totalidade, acaba nos deixando mais seguros."

"Veja só, tudo o que me fazia bonita era intrínseco à maternidade, e até mesmo o meu desejo de que os homens me considerassem atraente era uma imaginação do corpo projetada para expelir seu próprio substituto. (...) Sentia-me dispensável, jogada fora, engolida por um grande projeto biológico que não iniciei nem escolhi, que me produziu, mas que também iria me mastigar e depois cuspir fora. Eu me senti usada."

O marido de Eva é tão, tão chato, que eu não consigo entender o amor que Eva devota a ele, Ele é tão levado pela vida, olhando tudo como se tudo estivesse bem, independe do que aconteça, que eu queria sacudi-lo. Gritar com ele: O que mais você quer para ver que teu filho é um monstro?

O Kevin foi uma reação estranha, não o odiei, nem mesmo ante ao seu pior feito antes da “quinta -feira “,vendo-o sob o olhar de Eva, era como se isso já fosse esperado dele, só tivesse demorado para acontecer.

Gostei muito do estilo da autora, embora um tanto quanto difícil (no livro original, pelo que fiquei sabendo e também na tradução). Gostei principalmente da maneira como ela apresentava um fato, me deixando curiosa, depois discorria uma série de eventos para explicá-los, que quando o tema era solucionado, eu já estava tão envolvida na nova cena que já teria esquecido da curiosidade que me levou a ler mais aquele capítulo, parece complicado mas não ,a leitura é muito envolvente.

Esse recurso deve ser pouco usado, ou não tão bem usado, Pois li poucos livros que deixaram essa sensação em mim. Com certeza ele é difícil para o autor, pois exige uma ordem e um detalhamento na hora de escrever impressionantes.

Recomendo muito!

O final é massacrante, desculpe-me o trocadilho, mas a sensação foi essa mesma. Juro que não esperava aquilo, Fiquei tão atônita que estou louca para reler, mas ainda não tive coragem

As imagens do post são do filme, que eu ainda não vi, mas quero muito assistir por que dizem ser ótimo e para conhecer o trabalho de Ezra Miller, que me foi muito elogiado.






Quero muito o livro com essa capa, alguém quer trocar? hehe.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mística feminina



Livro: Mística Feminina -325 páginas
Autora: Betty Friedan
Editora: Vozes Limitada

Essa resenha faz parte do desafio literário 2013, mês de Maio, um livro citado em um filme. O livro Mística Feminina foi citado no filme Dez coisas que odeio em você filme com o lindo e talentoso, Heath Ledger que nos deixou cedo demais (A protagonista pede o livro em questão para o rapaz, depois de uma briga, quando ele a persegue numa livraria), 

O livro foi escrito como um grito de libertação. A autora expressa sua insatisfação frente a uma corrente de pensamento que reduz a mulher somente a seu papel biológico e matrimonial, tirando delas a chance de ter todo o seu potencial explorado.
Ela aborda o “problema sem nome”, que é um certo sentimento que assola as jovens mães americanas daquele período da história americana, mas que ainda hoje é sentido em todo mundo. Inclusive por esta que vos escreve. É o sentimento de que algo está errado, que algo nessa vida perfeita de esposa e mãe está faltando ainda que não se saiba bem o quê.
Para a autora, logo após a revolução feminista do início do século passado houve uma grande onda que tentou trazer as mulheres para o ambiente doméstico dessa vez concedendo-lhe ares de “um grande feito” ora, criar um ambiente saudável para seus maridos e filhos, alimentá-los, vesti-los, lhe proporcionar uma base para que estes, estes sim que nasceram homens possam fazer grandes coisas no mundo, poderia ser algo prejudicial, ou, ainda menor como vocação? A mística feminina diz que isso é o papel da mulher e que ela deveria se sentir orgulhosa de fazer parte desse processo, ainda que escondida nos bastidores, mas a autora (e outras feministas) dizem que não, que a mulher pode ser mais, pode participar do mundo, tomar decisões, ter ma carreira, e se dedicar a transformar a sociedade.

Eu gostei do livro, apesar de não estar acostumada com o tom acadêmico do mesmo, como muitas das mulheres que conheço não terminei os estudos, e isso foi uma das coisas que me tocaram nesse livro. 
Não acho que ser dona de casa seja uma coisa ruim, o sou com orgulho (se não por escolha pelo menos com vontade de fazer o melhor que posso)mas com certeza sinto que eu poderia fazer mais.  Que desistir de seguir em frente numa carreira acadêmica,não foi uma coisa realmente necessária, era,  na verdade, uma escolha possível, que me traria realização pessoal que deveria ter sido incentivada.
Recomendo muito, para todos, nos faz refletir sobre como o tempo passa,  a posição da mulher na sociedade ora avança, ora recua.

Amei esse trecho:

“No decorrer de sua vida essas mulheres transformaram a imagem que justificava a degradação feminina. Numa reunião, enquanto os homens zombavam da ideia de confiar o voto a mulheres tão indefesas que precisavam de ajuda para subir a uma carruagem ou 
saltar sobre uma poça de lama, uma orgulhosa feminista chamada Sojourner Truth ergueu seu negro braço: 
"Olhem para meu braço! Cavei, plantei, colhi... e não sou mulher? Era capaz de trabalhar e comer tanto quanto um homem — depois que consegui isto — e também suportar o açoite... Tive treze filhos e vi a maioria vendidos como escravos. E quando chorei pela dor que já foi a de minha mãe, ninguém senão Jesus me ajudou — e não sou mulher?"

Quem quiser baixar gratuitamente: AQUI




sábado, 27 de abril de 2013

A Rosa do Inverno



Editora:  Essência

Essa resenha faz parte de dois desafios, O desafio literário 2013(abril, estação do ano) e o desafio Hot 2013.

Conheci esse livro quando aderi ao desafio hot. E aproveitei para inseri-lo no desafio literário.(estava lendo Um Espião Que Saiu do Inverno, mas tava muito chato!)

Bem, apesar de ser do desafio hot, eu definitivamente não o enquadro nessa categoria, apesar de algumas cenas serem sexualmente explícitas, são muito poucas e no contexto hétero-monogâmico-normativo, e claro com muito amor e virgindade.

Quando comecei a ler confesso que me encantei, tinha tudo para se transformar num dos meus livros favoritos, mas não... me deixou a desejar, no quesito hot, no quesito romance, no quesito feminismo (que prometia) no quesito político(de liberal, para uma dona de casa encantada com o luxo).

A narrativa é boa, algumas cenas são realmente empolgantes, mas, é mais do mesmo. E apesar do livro ter narrativa de romance de banca, o preço é de obra-prima literária. Talvez por causa dos outros livros da autora, esse foi o primeiro livro que li dela e tinha grande esperanças, já que já ouvi muitos elogios, talvez ela seja mais original no gênero fantasia. 

O começo do livro é encantador, com cenas maravilhosas, diálogos interessantes e cheio de paixão e com muitos temas a serem desenrolados que infelizmente foram esquecidos no desenrolar do livro, e é desse começo que retirei esses quotes, e confesso apesar de não muito entusiasmada com o livro só por essas cenas, posso dizer: valeu a pena o ter lido.

“Muito antimonarquista, my lord. Não quer ter nada a ver com a aristocracia. Diz que os nobres são os responsáveis pela falta de reformas que ajudariam o povo. Diz que são os conservadores que mantêm as massas na pobreza abjeta, de forma que 1% da população possa desfrutar de 99% da riqueza. Diz que os donos de terra como o senhor não são nada além de imprestáveis e desocupados, que não pensam em mais nada além de caçar e se envolver com prostitutas…” Interrompendo-se, constrangido, Sir Arthur olhou rapidamente para a viscondessa. “Minhas desculpas, Lady Ashbury.” (pág 15)
Descrevendo uma mocinha, com opinião, sensata, e politicamente posicionada. O tema não foi desenrolado.

“E essa…” Edward engoliu seco. “Essa mulher. Ela não tem um marido a quem se possa apelar em nome da racionalidade?” (pág 16)
Homens racionais, e mulheres irracionais? A autora teve inspiração pra colocar em seus personagens falas machistas e antiquadas, que apesar de ultrapassadas ainda são repetidas sem que a maioria se de conta do que implica.

"Uma liberal! Deus o livre das mulheres com excesso de instrução! O que tinha aquele vigário na cabeça ao deixar a filha ler jornais? Ela não deveria nem saber a diferença entre liberais e conservadores. Não era de surpreender que fosse uma solteirona e estivesse condenada a continuar assim, se o que ela havia despejado nos ouvidos de Herbert era um exemplo da sua técnica de conversação." (pág17)
Essa parte já diz tudo, o casamento é o objetivo final e é claro que homens não querem mulheres instruídas e nada dóceis. A obrigação de ser analfabeta (funcional e politicamente) já não é exigida tanto, mas a docilidade submissa da mulher...

“Não vou fazer nada disso!”, exclamou o Sr. Richlands. “Eu não me rebaixaria para ajudar uma mulher tão devassa que não pode manter as pernas fechadas o suficiente para se recuperar de um parto.” (esqueci de pegar a página e tô com preguiça de procurar)
É um vigário falando da prostituta da vila, em ocasião, se não me engano, do nascimento do décimo sexto filho dessa. Mentalidade não muito diferente de todas as pessoas “de bem” que culpam a mulher e se esquecem de o homem também participa da concepção.

“Apenas um pouco do uísque de turfa, destilado bem aqui em Applesby. Qual é o problema? É um pouco forte para você?” “Forte?” Os olhos de Edward lacrimejavam. “É como beber ácido sulfúrico…” “Bem, talvez seja um gosto que a gente adquire com o tempo. Eu bebi isso a vida toda.” Como que para ilustrar o que dissera Pegeen se serviu de mais um copo.”Para mim, é leite materno. Quer mais um?” (pág 47)
Uma mocinha que bebe? Não deixa de ser inovador.

Infelizmente, personalidade só no começo da estória.

domingo, 21 de abril de 2013

Tormenta, muito bom





Livro: Tormenta – 392 páginas
Autor: Lauren Kate
Editora: Galera Record


Esse é o segundo livro da série Fallen, e ao contrário do último eu amei, gostei de Luce, dos novos amigos e principalmente do novo ambiente.

Muitas das perguntas deixadas pelo primeiro livro foram respondidas, e de forma muito interessante, e bem coerente, como os anunciadores.

Todos nós leitores ávidos formamos as imagens dos personagens em nossas mentes, e aconteceu algo bem diferente comigo nesse livro, imaginei os personagens como mangás, o primeiro foi o Cam, e depois o resto se seguiu e encaixou tão bem que fiquei imaginando se alguém já teria transformado a história do livro em quadrinhos, pesquisando descobri que existe um mangá chamado Fallen, com imagens belíssimas, mas não são as histórias do livro e nem mesmo inspirada nele. Se eu soubesse desenhar com certeza já teria feito uns rascunhos.

Achei maravilhosa a crítica feita à eterna (?) dicotomia bem/mal, como se essas fossem as únicas
opções, se esquecendo que existe entre elas uma extensa gama de tons de cinza (não é um trocadilho!).
Pessoas boas são capazes de atos maus, assim como uma pessoa vil pode ser capaz de um ato de bondade. O mal e o bem são como disse Cam, sobre ele e Daniel, duas faces de uma mesma moeda.

“(...) Continuou Shelby. -  Quero dizer quem diz que Lúcifer é tão mau...
- Hmm, todo mundo? - interrompeu Miles, olhando para Luce em busca de apoio.
- Nada disso! - exclamou Shelby.- um grupo de anjos muito persuasivos, tentando manter o status quo. Só porque eles venceram uma grande batalha há muito tempo, acham que têm o direito...”(pag 290)

(update: Não sem se ter a ver mesmo ou se é viagem insana da minha mente, mas Luce e Lucífer, sabe nomes tão parecidos, a autora se inspirou ou tem algo no próximo livro, curiosidade)

Esses tons de cinza também são vistos nos relacionamentos de Luce e os garotos, ela tem um amor eterno e arrebatador com Daniel, mas se encantou por Cam no primeiro livro e no segundo entra em cena o doce e meigo Miles (só pra deixar claro sou Team Miles.) As dúvidas amorosas adolescentes tomam outra proporção nesse livro, podem mudar o rumo dos acontecimentos, mas não é assim na vida real também?

Rolou pelo livro também alguns questionamentos sobre a relação amor/cumplicidade, o quanto dá para amar aquele a quem não conhecemos? Como não amar aquele que está do nosso lado, que nos faz rir, e que nos ampara? O amo é suficiente por si só ou a convivência é quem decide o que é melhor?

“Será que ela teria a chance de uma vida normal, um relacionamento com alguém, casar, ter filhos e envelhecer, como o resto do mundo?” (pag 243)

E o quanto um amor pode machucar, Luce acaba se confrontando com o fato de que suas diversas mortes machucaram muitas pessoas, pais, mães, irmãos, amigos. O quanto isso tudo deveria valer frente a um grande amor?

O livro é quase um diário, mas uma vez o tempo decorrido nele é bem curto, o que faz a narrativa ágil. Acho que os dois livros poderiam ser volume único, e aí o volume Fallen se tonaria um começo muito, muito chato de um bom livro.
Ansiosa para ler as continuações....