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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha: Os Sofrimentos do Jovem Werther




Livro: Os Sofrimentos do Jovem Werther - 180 páginas
Autor: Johann Wolfgang Von Goethe
Editora: L&PM

É um livro em forma de cartas, escritas por Werther, onde ele conta suas desventuras no amor, entre outras pequenas histórias bucólicas.

Ele conhece Charlotte, chamada amavelmente de Lotte, uma criaturinha doce, que cuida dos irmãos menores desde que a mãe faleceu e que está noiva.

Este passa então a ser o maior tormento de Werther, amá-la e não ter certeza se o amor é recíproco, e mesmo que fosse, Lotte como moça honrada, jamais trairia seu noivo.

E então este, entra também na história, e sua forma de ser reservada, forma um contraponto radical com a exuberância de Werther. E isto acaba aproximando-os, entrelaçando esses três personagens num triângulo amoroso, de honra e amizade.

Werther sofre, tenta outras alternativas, tenta conter sua paixão, mas a imagem de Lotte não o abandona, e qual seria seu fim se não padecer de amor?

É um livro gostoso de ler, os arroubos da paixão de Werther são deliciosos, quase desejáveis que sejam destinados á nossa humilde pessoa, imagina-se, como seria ser ,receptáculo de tamanha diversidade de carícias, de paixão, ser a musa que obriga um rapaz a escrever deliciosas cartas, recheadas de declarações entremeadas de uma paixão doce, e totalmente honesta.

As descrições de Werther de sua paixão é tão arrebatadora quanto terna. E Werther padece de amor, padece de loucura, padece por saber que ainda que haja amor entre eles, a vida os colocou tão distantes seus corações, quanto colocou suas almas juntas.

“ E quando me perguntam se ela me agrada? Agrada! Odeio esta palavra até a morte. Que tipo de pessoa é essa a quem Lotte agrada e a quem ela não tenha preenchido todos os sentidos e todos os sentimentos”

"Sabe Deus quantas vezes vou para a cama com o desejo, sim, com a esperança de nunca mais acordar” E de manhã abor os olhos, torno a ver o sol e sinto-me um desgraçado” 

“Tudo isso é efêmero, mas nem mesmo a eternidade pode extinguir a vida ardorosa que ontem gozei em seus lábios e que ainda sinto em mim! Ela me ama! Este braço enlaçou-a, estes lábios tremeram sobre os seus lábios, esta boca balbuciou sobre a dela. Ela é minha! Sim, Lotte, para sempre...”

Se tornou um dos meus livros favoritos, com certeza.
Recomendo muito!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Resenha: Uma vida sem limites



Livro: Uma vida sem limites – 264 páginas
Autor: Nick Vujicic
Editora: Novo Conceito

Essa resenha faz parte do Desafio Literário 2013, mês de outubro, tema superação.

Ler esse livro foi surpreendente, a superação de Nick é visível, mas a sua plenitude, sua doação integral ao escrever esse livro, isso eu não esperava.

O livro é bem religioso, afinal Nick é um missionário, e isso me incomodou um pouco (mas só um pouquinho), mas as colocações de Nick a respeito do quanto podemos fazer, do quanto nossas limitações não tem realmente o poder de nos limitar, é incrível.

Ele é tão sincero, ele não foca só nas suas vitórias, ele fala das suas dificuldades de forma muito
generosa com quem o está lendo. E isso é incrível, pois comecei a ler esperando saber sobre sua superação em relação à falta de membros, e li sua superação interna, sua superação em ser autossuficiente é extraordinária, mas a superação em não ser só autossuficiente, mas em ser a mudança que ele deseja no mundo é inspiradora.

O livro contém trechos muito engraçados, como as pegadinhas feitas com o Nick e sua pequena gangue de primos, e depois com seus acompanhantes de viagem e palestras, desde assustar pessoas em shopping a assustar pessoas em aviões, além é claro de uma pequena excursão pela esteira de bagagem, e uma narração corajosa de sua participação numa briga escolar, dá pra sentir a energia do Nick através das folhas, sua mensagem é clara, ele veio para viver, se divertir, e iluminar o máximo de pessoas possíveis.

Fica nítido a sua facilidade com as palavras, seu talento em transformar letras em sentimento é emocionante. O livro consegue ser engraçado, divertido, corajoso, profundo, honesto. Não abusa das particularidades de Nick para arrancar lágrimas, mas elas vem fácil, algumas horas imaginando a dor de ser diferente, outras celebrando a alegria de “realmente” ser diferente.

“Você é responsável por seu próprio sucesso (…) Acredite no valor que você tem neste mundo. Se você não se sentir digno de ter asas, jamais vai tirar os pés do chão”

Esse não está no livro, mas resume muito bem a energia e sabedoria de Nick :
“Não há sentido em ser completo do lado de fora quando se está quebrado no interior.”

Ansiosa para ler o segundo livro do autor.

Para quem quer conhecer mais sobre o Nick

Vídeo de sua palestra: AquiAqui e Aqui
Um pouco sobre seu segundo livro: Aqui ( o titulo nacional é Indomável)

E uma foto linda da sua família, e sim ele sabe que é bonitão <3 !!!



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A viagem do Elefante





Livro: A viagem do Elefante – 256 páginas
Autor José Saramago
Editora: Companhia das letras

Essa resenha faz parte do desafio literário mês de setembro, tema: Autores portugueses contemporâneos

Minha primeira intenção foi ler Ensaio sobre a Cegueira, que já vi o filme e adorei, mas por diversos motivos, não consegui : (

Também achei interessante a ideia de ler outro autor um pouco mais desconhecido, mas em cima da hora foi complicado, além de eu não conhecer muito da literatura portuguesa atual., então acabei escolhendo ler A Viagem do Elefante, e não me arrependi.

O livro conta a história do elefante Salomão e de seu cornaca Subhro, o paquiderme é dado de presente ao arquiduque Maximiliano pelo rei português Don João III.
E para que o presentado receba seu presente, é necessário que empreendam uma longa viagem, atravessando Portugal, Espanha, França e Itália.

Bem essa é a viagem do elefante, em uma época em que os meios de locomoção eram cansativos e
“Ter de pagar pelos próprios sonhos deve ser o pior dos pesadelos”
demorados, e as viagens muitas vezes eram feitas á pé, parte-se de Portugal uma comitiva, com um elefante e tudo o que um elefante pode precisar, fardos de alimento e tonéis de água.

O elefante é um personagem que embora sem voz, é carismático e nos toca o coração e a imaginação, quase dá para sentir a admiração de todos os que cruzam seu caminho nessa longa viagem.

E o seu cornaca Subhro, aquele a quem mais acompanhamos e conhecemos seus pensamentos, temores, incertezas, sua boa sorte e sua má sorte, é um personagem tão real, verdadeiro que custa a acreditar que seja só um personagem (ainda que a história seja real, realmente um elefante foi presenteado e realmente empreendeu-se tal viagem, esse é um romance de como tal poderia ter se sucedido)

Distância: 2.301,71 Km
A viagem conta com uma quase grande batalha, uma dor de barriga como um fato de grande importância ainda que acontecendo tardiamente, uma despedida emocionante, padres exigindo milagres elefantinos e claro por que não, um cornaca se aproveitando de sua fama e de seu paquiderme para vender tônicos capilares.

O livro é bem construído, como o li em português de Portugal, só consegui me familiarizar perfeitamente com a leitura na metade final do livro, que sem dúvida foi a parte mais poética, que contém, partes em que Saramago nos presenteia, não com um elefante rsrs, que seria por demais em preencher minha pobre casa, mas com descrições ou divagações sobre a falta de descrições que preencheram meu coração, me unindo aos personagens de maneira única e indescritível,

O livro ainda traz alguns temas interessantes, como o desespero da igreja católica com o protestantismo de Martinho a lhes bater à porta, com a diferença entre aqueles que nasceram para reinar e aqueles que nasceram para servir, tanto nas ideias díspares como presentar paquidermes, quanto em mudar não só o nome do animal quanto de seu cuidador, sendo estes batizados posteriormente, como Solimão e Fritz contra suas vontades.

Recomendo com certeza e estou ainda lerei muitos outros livros do autor que conta com uma bibliografia extensa e famosa por sua visão crítica.

Imagens via Google

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mística feminina



Livro: Mística Feminina -325 páginas
Autora: Betty Friedan
Editora: Vozes Limitada

Essa resenha faz parte do desafio literário 2013, mês de Maio, um livro citado em um filme. O livro Mística Feminina foi citado no filme Dez coisas que odeio em você filme com o lindo e talentoso, Heath Ledger que nos deixou cedo demais (A protagonista pede o livro em questão para o rapaz, depois de uma briga, quando ele a persegue numa livraria), 

O livro foi escrito como um grito de libertação. A autora expressa sua insatisfação frente a uma corrente de pensamento que reduz a mulher somente a seu papel biológico e matrimonial, tirando delas a chance de ter todo o seu potencial explorado.
Ela aborda o “problema sem nome”, que é um certo sentimento que assola as jovens mães americanas daquele período da história americana, mas que ainda hoje é sentido em todo mundo. Inclusive por esta que vos escreve. É o sentimento de que algo está errado, que algo nessa vida perfeita de esposa e mãe está faltando ainda que não se saiba bem o quê.
Para a autora, logo após a revolução feminista do início do século passado houve uma grande onda que tentou trazer as mulheres para o ambiente doméstico dessa vez concedendo-lhe ares de “um grande feito” ora, criar um ambiente saudável para seus maridos e filhos, alimentá-los, vesti-los, lhe proporcionar uma base para que estes, estes sim que nasceram homens possam fazer grandes coisas no mundo, poderia ser algo prejudicial, ou, ainda menor como vocação? A mística feminina diz que isso é o papel da mulher e que ela deveria se sentir orgulhosa de fazer parte desse processo, ainda que escondida nos bastidores, mas a autora (e outras feministas) dizem que não, que a mulher pode ser mais, pode participar do mundo, tomar decisões, ter ma carreira, e se dedicar a transformar a sociedade.

Eu gostei do livro, apesar de não estar acostumada com o tom acadêmico do mesmo, como muitas das mulheres que conheço não terminei os estudos, e isso foi uma das coisas que me tocaram nesse livro. 
Não acho que ser dona de casa seja uma coisa ruim, o sou com orgulho (se não por escolha pelo menos com vontade de fazer o melhor que posso)mas com certeza sinto que eu poderia fazer mais.  Que desistir de seguir em frente numa carreira acadêmica,não foi uma coisa realmente necessária, era,  na verdade, uma escolha possível, que me traria realização pessoal que deveria ter sido incentivada.
Recomendo muito, para todos, nos faz refletir sobre como o tempo passa,  a posição da mulher na sociedade ora avança, ora recua.

Amei esse trecho:

“No decorrer de sua vida essas mulheres transformaram a imagem que justificava a degradação feminina. Numa reunião, enquanto os homens zombavam da ideia de confiar o voto a mulheres tão indefesas que precisavam de ajuda para subir a uma carruagem ou 
saltar sobre uma poça de lama, uma orgulhosa feminista chamada Sojourner Truth ergueu seu negro braço: 
"Olhem para meu braço! Cavei, plantei, colhi... e não sou mulher? Era capaz de trabalhar e comer tanto quanto um homem — depois que consegui isto — e também suportar o açoite... Tive treze filhos e vi a maioria vendidos como escravos. E quando chorei pela dor que já foi a de minha mãe, ninguém senão Jesus me ajudou — e não sou mulher?"

Quem quiser baixar gratuitamente: AQUI




domingo, 31 de março de 2013

Dewey- Um gato entre livros



Livro: Dewey, Um Gato Entre Livros – 272 páginas
Autor: Vicki Myron com Bret Witter
Editora: Globo

Mais um livro como tema: animais, dessa vez escolhi Dewey, que é um livro sobre duas coisas que amo, gatos e biblioteca (só de imaginar um monte de prateleiras, com uma infinidade de livros alinhados, meus olhos brilham).

O livro conta a história do gato Dewey Readmore Books, que foi encontrado numa caixa de devolução em uma biblioteca, na noite mais fria do ano, adotado por Vicki e pela biblioteca da qual ela cuida, ele cresce, e se torna famoso não só entre os visitantes quanto pelo estado, pelo país e por outros países. Conta a vida de Vicki, a de Dewey e nos dá um panorama da cidade de Spencer, e do estado de Iowa.

"O pobre gatinho mal se continha em pé, as saliências das quatro patas haviam sofrido rachaduras" (pág 20)

Amei o livro e chorei pela primeira vez na página vinte, e foram muitas lágrimas depois dessas, a história nos comove pelo grande afeto que é dedicado ao gato pela autora, e também pela força da protagonista, uma mulher forte, lutadora, que mesmo após tantas lutas consegue dispensar carinho e cuidado a um gato, que não é um gato qualquer. É O gato.

As façanhas de Dewey são bem descritas, e quase dá para vê-lo se esgueirando por entre fileiras de livros, ou pulando sobre uma mesa, daquelas bem grandes.

"Ele sabia ser fácil, enrolar Joy, então pedia sempre a ela que o deixasse entrar naquele banheiro. Uma vez lá dentro, pulava para cima da pia e pedia para ela abrir a torneira. Ele não bebia essa aguá. Ele a observava" (pág 183)

Outro motivo pelo qual chorei a beça foi a doença que atingiu tanto Vicki quanto a mãe e o irmão dela, sua luta contra o câncer, e apoiando quem precisava dela me tocou profundamente. Por motivos pessoais, tenho evitado ler livros que falam dessa doença, como por exemplo: A culpa é das estrelas, pois me toca profundamente, mas não dava pra saber disso pela sinopse e após algumas citações sobre a doença eu já estava envolvida com o livro e nem cogitei parar.



Esse é meu! O outro sumiu na hora da foto!
"(...) minha mãe foi diagnosticada com leucemia, a última de uma longa fileira de doenças a afligi-la e golpeá-la . Dizem que o câncer, como a sorte, é de família. Infelizmente o câncer está impregnado na linhagem Jipson" (pág224)

Recomendo muito, para quem gosta de gatos é um prato cheio, deu até vontade de acariciar os meus,
botar no colo, e agradecer pela presença deles na minha vida, por que só de tê-los por perto o fardo da vida fica mais leve. Muito mais leve. Como um salto de gato com suas patas silenciosas.

Quem quiser conhecer o site de Dewey, AQUI, e esse tem fotos lindas, são cartãos postais do Dewey, uma mais lindo que o outro...  AQUI

Os autores:

Vicki Myron: É ex-diretora da biblioteca de Spencer e conviveu com o gato Dewey por dezenove anos, é graduada na universidade Estadual de Mankato e tem mestrado de biblioteconomia pla universidade Estadual de Emporia.





Bret winter: É editor de livros e escritor, seu gato Feasor morreu quatro dias após a conclusão desse livro. : (






terça-feira, 12 de março de 2013

Um Leão Chamado Christian




Livro: Um leão chamado Christian  Páginas: 224 

Autores: Anthony Bourke e John Rendall

Editora: Nova Fronteira


Esse livro conta a história de dois amigos que acabam comprando um filhote de leão em plena Londres. Coisa que hoje em dia não seria possível. Espero.
O leão Christian acaba morando por um tempo no porão e no segundo andar de uma loja de móveis e acaba chamando bastante atenção.Sendo entrevistado, conhecendo gente famosa e etc.
Os amigos sabem que a permanência de Christian com eles deve ser curta e lutam para que ele tenha um bom futuro sendo reintegrado a selva, ato feito por George adamson.
Esse livro ganhou grande repercussão após o vídeo em que eles se reencontram com o leão, já reintegrado à selva africana caiu no youtube. Fazia um ano em que eles não se viam, mas o leão simplesmente não se esqueceu deles e a recepção foi bem calorosa como podem ver AQUI.
O livro é muito interessante, uma história real mas com um toque surreal. É muito difícil não se apaixonar por Christian, tanto pela narrativa quanto pelas inúmeras fotos distribuídas pelo livro.
É emocionante e gratificante a preocupação dos jovens em lutar para que Christian tivesse um futuro digno.
Ficou claro na narrativa também a gratidão dos rapazes a todos os que os ajudaram a cuidar de Christian, e principalmente o afeto que eles dedicavam à aquele que possibilitou o retorno de leão a África, George Adamson, que com amigos fundou a Associação de George Adamson para a Preservação da Vida Selvagem.
Não indico para quem espera uma narrativa tipo Marley e Eu, que foi o que eu esperava. Quer dizer, não é que eu não indique o livro, não indico esperar uma narrativa “água com açúcar ”
A narrativa do livro é pouco emocionante nesse sentido, a forma em que ele foi escrito não me envolveu, é quase como se fosse um diário de fatos. Ele não é fluido, não tem diálogos, ou seja ele não te prende pela emoção. O que eu quero dizer é que, essa história emocionante, escrita de outra maneira, teria feito eu me afogar em lágrimas. Nessa narrativa, por falta de outro adjetivo, seca, embora emocionada e gostando imensamente da história, não chorei nenhuma lágrima.
 Não que isso desvalorize o livro, de forma alguma, só que eu gostaria de uma outra versão menos biográfica e mais visceral.
Um das partes que mais gostei, e que foi escrita com um humor doce foi essa, que me parece comparar a educação de um leão ao de uma criança (talvez adotada), achei bem fofo:

Não contamos a Christian que ele era um leão. Achávamos que essa informação só levaria a um lamentável comportamento de leão. Evitávamos usar a palavra leão na frente dele, mas ocasionalmente tínhamos que soletrar L-E-Ã-O para as pessoas que pensavam que Christian era um leopardo por causa das pintas (...) E como possivelmente há mais estátuas de leões em Londres do que leões vivos na África, decidimos contar-lhe a verdade antes que descobrisse por conta própria e fizesse perguntas difíceis.” (pág 49)

Realmente recomendo, a história desses três rapazes (dois humanos e um leão) nos faz pensar em nossas relações com nossos animais e com os animais que deveriam viver livres. O quanto uma prisão, ainda que bem cuidada e cercada de amor, ainda é uma prisão.
E que amar também é deixar partir.

Os autores


Ace Bourke , nasceu em Sydney, em 1946. Tornou-se um dos principais curadores de artes da Austrália, sendo pioneiro em arte aborígine e especialista em arte colonial.




John Rendall é australiano e divide seu tempo entre aLondres e Sydney. Trabalha com relações públicas em turismo, concentrando-se em projetos de preservação, hospedagens e reservas ambientais na África

As imagens deste post foram retiradas do google, as fotos abaixo são do Parque Taronga, parque ecológico citado no livro.Para quem quiser saber mais AQUI.





sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eu, Malika Oufkir - Prisioneira Do Rei





Autora: Malika Oufkir e Michèle Fitoussi
Editora: Companhia das letras – 366 páginas


O livro é a biografia da pequena Malika, filha do general Mohammed Oufkir. Conta sua vida no Marrocos, desde que foi separada de seus pais para ser criada por um soberano, passando por sua prisão desumana, até sua sonhada conquista de liberdade, ainda que relativa, quando se trata de feridas tão profundas.

O livro é dividido em duas partes distintas, a primeira parte é suntuosa, cheia de luxo, vestidos, festas e até atores hollywoodianos, a segunda é angustiante, dolorosa, penetrante em suas descrições do cárcere, tendo em comum apenas e tão somente um profundo sentimento de solidão.

O livro apesar de escrito por uma jornalista francesa é todo escrito em primeira pessoa, acaba sendo um mergulho na cultura marroquina, rica em detalhes da vida do rei, e suas esposas, concubinas e filhas. Mas não em demasia a ponto de cansar o leitor.

Eu me senti praticamente dentro do livro, aproveitei os bons momentos, chorei com Malika. E rezei quando percebi como pode ser grande a maldade humana.
Recomendo para quem gosta de história reais, de força e superação. Quem gostou do diário de Anne Frank, com certeza irá gostar desse livro.

Ele também serve muito bem para quem pensa em desistir da vida no primeiro obstáculo, a força de Malika impressiona, pois ela passou de uma princesinha para uma lutadora, mesmo quando lhe tiraram tudo, e lhe prenderam em uma jaula insalubre, ela ainda depositou suas esperanças no poder das histórias enredadas pela sua imaginação, tornando-as um bálsamo para todos os seus companheiros de cela, a sua família. 


“A gente ia ao apartamento que Irene tinha alugado, dançávamos sirtaki, bebíamos vodca e champanhe, ríamos, cantávamos e voltamos de madrugada, de Maserati ou Lamborghini, levados pelo filho do rei Fahd da Arábia ou por um jovem ator grego Yorgo. Era assim que eu aprendia inglês... (pág 102)

“A cada dois dias, os guardas nos traziam o pão em caixas de papelão (...) tirávamos num tempo recorde a película que as cobria. Ela nos servia para anotar as histórias que eu contava (...)
Um dia, quando estava ocupada tirando o papel, vi as três meninas lambendo no chão as migalhas que caiam da caixa. A partir daí, instaurei uma regra. Em vez de brigar como vira–latas elas teriam direito, cada uma num dia, à “sua vez” de comer as migalhas.” (pág 193)



As escritoras:

Malika Oufkir, filha de Mohammed e Fátema Oufkir, foi presa, junto a sua família por 20 anos após seu pai morrer ao liderar um golpe de estado,tentando derrubar o rei Hassan II.









Michèle Fitoussi, jornalista francesa, (embora nascida na Tunísia), escreveu para a revista Elle, teve cinco livros publicados, sendo três de ficção, e seu romance Victor foi adaptado para o cinema em 2009.





Fonte: Wikipédia, companhia das letras. Imagens do Google